Carrefour põe farmácia na rua e prevê aquisições

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Varejo: Negócio de drogarias começou no Brasil há 5 anos e já soma 145 lojas

 

 

O francês Carrefour, segundo maior grupo do mercado brasileiro de supermercados e dono de 145 drogarias no país, todas instaladas no interior de sua rede de lojas, agora planeja levar o negócio de farmácias para as ruas. A Carrefour Drogarias, operação iniciada há cinco anos, entra na segunda fase de expansão, que pode contar com aquisições.

 

"Nós já atingimos o limite de farmácias instaladas em hipermercados e estamos prontos para levar a bandeira para as ruas", diz o diretor de drogarias do Carrefour Brasil, Oscar Teixeira Basto Júnior. O executivo não revela quantas lojas pretende atingir no médio prazo, mas trabalha com as opções de crescimento orgânico e por aquisições.

 

O Brasil foi o primeiro país a ter uma drogaria Carrefour, há cinco anos, ideia reproduzida pela multinacional na Argentina e na Colômbia. No país, segundo Basto Júnior, as regiões com melhor desempenho são Goiás e Nordeste, que juntas somam apenas 15 unidades.

 

Extremamente pulverizado, o setor de drogarias vem passando por uma consolidação - nos últimos dois meses, a Brazil Pharma, do BTG Pactual, comprou a Farmácia dos Pobres e se associou à Rosário Distrital; e a Drogaria São Paulo adquiriu o Drogão, assumindo a liderança entre as redes do país. O varejo de medicamentos movimenta R$ 32 bilhões ao ano, mas as unidades em super e hipermercados respondem por apenas 3% desse total, segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

 

A disputa deve aumentar agora, com a chegada do Carrefour Drogaria às ruas. Na mídia, Carrefour e Pão de Açúcar já travam disputa em torno dos genéricos, segmento que responde por 23% das vendas de medicamentos no país. Prevista para encerrar ontem, a campanha do Carrefour que promete até 75% de desconto nas drogarias do Estado de São Paulo foi estendida até o dia 15. Nas farmácias da multinacional francesa, o valor pode ser dividido em até dez vezes sem juros no cartão da rede. A campanha do Pão de Açúcar garante até 90% de desconto aos paulistas que comprarem medicamentos com o cartão da loja durante este mês.

 

"Conseguimos uma boa negociação com os fornecedores", diz Basto Júnior, a respeito do grande desconto. A drogaria do Carrefour compra os medicamentos de distribuidores. "Mas estudamos iniciar a compra direta da indústria", afirma o executivo.

 

Segundo uma fonte do setor, as drogarias que compram de distribuidores correm risco maior de ficar sem determinado produto, em comparação às que negociam com a indústria farmacêutica. "O cliente que chega com uma receita com três medicamentos vai embora se só encontra um ou dois", diz a fonte. "Outros problemas são a localização da loja, escondida dentro do hiper, e a falta de disposição do consumidor, que já perdeu muito tempo fazendo sua compra no super ou hiper e não quer parar de novo na farmácia", afirma.

 

Hoje, o Pão de Açúcar, o maior grupo do varejo nacional, tem 149 drogarias e deve inaugurar mais 25 neste ano. Apenas uma loja, na capital paulista, em frente à sede da empresa, é de rua. Não há planos de expandir nessa direção. A americana Walmart, o terceiro maior grupo supermercadista do país, tem uma rede bem maior de farmácias, de 277 unidades, e que deve chegar a 350 até o fim de 2010. Todas dentro de suas lojas.

 

Nas lojas de rua, o Carrefour vai ocupar um espaço cerca de 60% maior, de 180 metros quadrados, mas com um mix de higiene e beleza diferente daquele de hipermercados. "Hoje nosso mix é semelhante, porque a compra é centralizada pelo hipermercado, mas vamos começar uma negociação independente para o canal farma", diz o executivo. Assim, a rede contará com produtos específicos para farmácias, afirma.

 

Nas redes de drogarias, a venda de itens de higiene e beleza significa 27% do faturamento anual, o equivalente a mais de R$ 4 bilhões. No primeiro semestre, o Carrefour reformulou as suas farmácias para aproximá-las mais do perfil de perfumarias. A medida foi incentivada pela resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proibiu o livre acesso dos consumidores aos medicamentos sem prescrição (OTC), o que aumentou o espaço para os cosméticos. "Nosso público é essencialmente feminino, das classes A, B e C", diz Basto Júnior.

 

A empresa investiu R$ 1,5 milhão em um serviço de sinalização digital nas drogarias, que começa a ser oferecido este mês. Nas pontas de gôndola, estão sendo instalados monitores para divulgação constante de promoções. Haverá ainda uma versão digital do tablóide de ofertas, na entrada da loja, e uma tela atrás do balcão com promoções de remédios OTC. Projetos-piloto já foram realizados com Bayer e Johnson& Johnson. Os fornecedores pagarão pelos anúncios que, segundo Basto Júnior, não vão gerar receita importante às lojas.

 

Veículo: Valor Econômico


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