Cargill compra divisão de atomatados da Unilever

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A Cargill assinou na sexta-feira a compra do negócio de atomatados da Unilever, incluindo as marcas Elefante, Pomarola, Tarantella e Extratomate, por R$ 600 milhões. Parte da fábrica de Goiânia, onde são fabricados esses produtos, passa para o controle da Cargill.

 

As linhas Hellmann's (de maionese, ketchup e molhos) e Arisco (molhos de tomate, ketchup, maionese, massas instantâneas e outros produtos) continuam sob o controle da Unilever e permanecerão sendo fabricadas na mesma unidade.

 

Na negociação com a Cargill, a Unilever estabeleceu um contrato para que os extratos e molhos de tomate direcionados ao mercado de food service (embalagens de um quilo ou mais para restaurantes, por exemplo) sejam produzidos pela Cargill, mas vendidos pela Unilever. Esse acordo vale por cinco anos e poderá ser renovado.

 

A Cargill deverá assumir as operações de molhos até o fim deste ano. O fato de a estrutura fabril de Goiânia ser dividida pelas duas empresas não é uma desvantagem para a Cargill, segundo Marcelo Martins, diretor da Cargill Foods Brasil. "Ao contrário, é uma oportunidade de intensificar nosso negócios com a Unilever, que é nosso cliente em nível global", diz ele.

 

A compra dá mais corpo à operação de varejo da Cargill. "As marcas e os produtos de tomate complementam nosso leque de itens para o varejo, que já conta com óleos Liza e Mazola, o azeite Gallo, os azeites compostos Maria e Olivia, as maioneses, os molhos para salada, azeitonas e as massas Del Verde, que importamos da Itália. Podemos até dizer que agora temos uma macarronada completa", brinca Martins.

 

"Estamos comprando marcas fortes que irão nos ajudar a ganhar mais volume no varejo", acrescenta o executivo da Cargill. Pomarola é a marca líder no mercado de molhos refogados prontos no país, seguida da Fujini, da Fujini Alimentos.

 

"Ter mais produtos para vender ao canal autosserviço barateia a operação para a Cargill, que usará a mesma força de vendas e a mesma estrutura logística para vender ainda mais produtos, conseguindo assim ser mais rentável", diz Fabiana Fakhoury, diretora da consultoria Alvarez & Marsal. "Além disso, desde a venda da Seara para a Marfrig no ano passado, a Cargill estava com mais de US$ 900 milhões em caixa e os acionistas detestam dinheiro parado", completa a consultora.

 

A Cargill, maior empresa de agronegócios do mundo, concentra seus negócios na fabricação de insumos para a indústria de alimentos. Mas no Brasil e na Venezuela, a empresa com sede em Mineápolis (EUA) tem também seu braço de produtos para o varejo.

 

A Unilever, que anunciou a intenção de vender a unidade em maio, resolveu se desfazer do negócio por conta de uma estratégia global da empresa. "A ideia é focar em categorias nas quais podemos ter crescimento mais rápido", diz Luiz Carlos Dutra, vice-presidente de assuntos corporativos da Unilever Brasil. "Chega uma hora que é preciso reduzir o portfólio e fazer escolhas", completa ele. Com a venda, a Unilever fica agora com 25 marcas no país.

 

O mercado de molhos prontos de tomate, ao contrário do de extratos e polpas, cresceu 13% em volume em 2009. As vendas, conforme a Nielsen, subiram de 156,1 milhões quilos em 2008 para 177,6 milhões de quilos no ano passado, somando R$ 769,7 milhões. Mas a proliferação de marcas e fabricantes diminuiu as margens do negócio. Hoje são mais de 300 marcas competindo pela preferência do consumidor. As vendas de purês de tomate e extratos, por sua vez, caíram 6,2% em 2009, totalizando R$ 626, 8 milhões (para extratos) e R$ 114,6 milhões (para purês).

 

Veículo: Valor Econômico


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