A cidade de São Paulo vai dar início amanhã ao descarte ON, projeto inédito de logística reversa de resíduos eletroeletrônicos, cujo objetivo é conscientizar a população e implantar modelo eficiente de coleta desses rejeitos.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre os governos do Japão e Brasil, com participação de varejistas, cooperativas e associações representativas de eletroeletrônicos.
O projeto-piloto será executado na Subprefeitura da Lapa, com previsão para terminar no final de outubro de 2016, e contou com auxílio técnico da Japan International Cooperation Agency (Jica), órgão do governo japonês responsável por implementar ações socioeconômicas em países em desenvolvimento. "O bairro da Lapa foi escolhido devido a projetos de reciclagem que já acontecem na região. Os membros da Jica juntamente com os outros órgãos envolvidos viram uma possibilidade grande de aderência ao projeto pela população local", disse o presidente da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), Ricardo Brandão. A Central de Compostagem na Lapa, inaugurada pela gestão Haddad em dezembro do ano passado, visa a transformação de resíduos orgânicos, vindos das feiras livres, em adubo ecológico.
Descarte ON
A coleta dos resíduos eletroeletrônicos (REEE) acontecerá por meio de dois sistemas. Um deles é a Coleta nas Lojas, em que o cidadão poderá depositar materiais de médio e pequeno porte nas caixas disponíveis nas lojas participantes.
Entre as varejistas participantes estão Casas Bahia, Extra, Pernambucanas, Pontofrio, Lojas Americanas e Walmart. Já a coleta dos eletrodomésticos de grande porte funcionará por meio do Coleta em Sua Casa, que começará em breve na região.
Segundo o consultor chefe da Jica, Shungo Soeda, o preço cobrado para o serviço de coleta em casa vai ser em torno de R$ 10, devido aos custos com transporte. "Ainda estamos estudando se o preço é viável para os cidadãos e se o preço pode, de alguma forma, se tornar um empecilho para a destinação correta do resíduo", disse. Não estão incluídos na coleta itens como baterias, pilhas, lâmpadas fluorescentes e toners de impressora.
O transporte, triagem e armazenamento temporário dos resíduos coletados ficarão a cargo da Coopermiti, cooperativa especializada em resíduos eletrônicos, que atuará como Centro de Consolidação. Após esta fase, os itens são encaminhados para a Unidade de Desmontagem, onde se fará reaproveitamento e destinação ambientalmente correta dos materiais eletroeletrônicos.
A empresa que administrará esta etapa será a Ecos - Soluções Sustentáveis, especializada na Gestão e Beneficiamento de Resíduos Eletroeletrônicos com ênfase em logística reversa.
Legislação
Embora esteja regulamentado na PNRS a responsabilidade aos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de produtos eletroeletrônicos de estruturar e implementar sistemas de logística reversa, a falta de integração entre os elos dificulta a aplicação.
Segundo dados do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Cidade de São Paulo, no município há geração de cerca de 30 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos a cada ano. A Coopermiti, instituída em 2010, apresentou, em 2012, entrada de 325 toneladas de REEE.
Veículo: Jornal DCI