O mercado futuro de trigo voltou a fechar com forte alta ontem nas bolsas americanas, mas a soja, que vinha acompanhando o cereal não se sustentou e teve queda expressiva. Notícias de que a Rússia terá de elevar as importações de grãos após a forte seca que afetou o país fizeram os contratos de trigo com vencimento em dezembro subir 25,50 centavos de dólar na bolsa de Chicago, e fecharem a US$ 7,1425 por bushel. Em Kansas, o mesmo vencimento teve valorização de 20,25 centavos a US$ 7,2025 por bushel.
A Rússia, que foi a terceira maior exportadora de trigo no ano passado, pode ser forçada a importar até 4 milhões de toneladas de grãos, inclusive trigo do Cazaquistão, para atender à demanda doméstica, de acordo com a SovEcon, empresa de pesquisa agrícola na Rússia. Nos últimos anos, o país importou menos de um milhão de toneladas.
O aumento da demanda por trigo americano por causa da quebra na produção nas ex-repúblicas soviéticas também contribuiu para a alta de ontem. As exportações semanais dos EUA somaram 1,4 milhão de toneladas, o maior volume em quase três anos, informou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Já os contratos futuros de soja com vencimento em novembro tiveram queda de 18,50 centavos de dólar ontem a US$ 10,1225 por bushel. O potencial de safra recorde nos EUA e a falta de notícias altistas fizeram a soja se desvalorizar. Analistas disseram que após um período de alta - principalmente por causa da forte demanda -, traders decidiram reduzir a exposição ao risco, cobrindo posições compradas anteriormente.
Ontem o USDA divulgou que as exportações semanais americanas de soja ficaram em 2,231 milhões de toneladas, dentro da estimativa dos analistas que esperavam vendas externas entre 1,2 milhão e 2,5 milhões de toneladas no período.
A demanda por soja brasileira também está em alta e pode crescer ainda mais, disse ontem o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Célio Porto, durante o Fórum Internacional de Produtores de Soja & Cia. Segundo ele, a crescente demanda por alimentos em países em desenvolvimento, como a China, e os problemas climáticos na Rússia, que suspendeu as exportações de grãos, são oportunidades para o Brasil. "Experiências anteriores nos mostraram que medidas desse tipo desestimulam a produção local e aumentam a necessidade de importação", disse conforme nota do ministério.
Veículo: Valor Econômico