Depois de ser cobiçada pela Lojas Americanas e pelo banco BTG Pactual, a rede varejista Casa & Vídeo acabou nas mãos da gestora de recursos Polo Capital. O acordo ajudará a rede, com 68 lojas no Rio, a reduzir as dívidas de mais de R$ 250 milhões e a financiar seu plano de expansão, após um doloroso processo de recuperação judicial.
O porcentual adquirido e o valor do negócio não foram revelados. "Adquirimos uma participação relevante, bem acima de 5%, é só o que posso dizer", disse Marcos Duarte, sócio da Polo Capital. Segundo fontes, porém, a gestora ficou com mais de 50% da rede. A fatia foi comprada pelo Austra FIP, fundo de investimento sob gestão da Polo e administração do BNY Mellon Serviços Financeiros.
Segundo Duarte, a nova gestão da rede, especializada em eletrodomésticos e eletroeletrônicos, aposta no crescimento da economia do Rio, beneficiando-se de áreas no entorno de favelas pacificadas. Os planos incluem as lojas mini, uma espécie de posto de atendimento das maiores.
Duarte fará parte do conselho de administração da Casa & Vídeo e indicará membros independentes para o conselho fiscal. A Polo, uma gestora com 11 fundos e R$ 2,7 bilhões de patrimônio, pode ter ainda mais um ou dois assentos no conselho de administração. O sócio da Polo não descarta a abertura de capital da rede, mas ressalva que esta é uma discussão para o futuro. "Temos ainda muito dever de casa pela frente."
Presidente. Pelo acordo, o advogado Fabio Carvalho continuará como acionista e presidente executivo da Casa & Vídeo Rio de Janeiro, empresa controlada pela holding Casa & Vídeo e criada a partir da cisão da antiga empresa, após a investigação de sonegação fiscal levada a cabo pela Polícia Federal em 2008, que levou os antigos donos à prisão - acusados, além de sonegação, também por descaminho e lavagem de dinheiro.
Especializado em recuperação judicial, Carvalho chegou à rede como consultor jurídico, depois de participar do processo de recuperação da companhia aérea Varig, pela consultoria Alvarez & Marsal. Mobilizou investidores para comprar o controle da Casa & Vídeo Rio de Janeiro, renegociou contratos com fornecedores e tornou alguns deles seus sócios. Nove lojas de Minas Gerais e Espírito Santo ficaram com os antigos donos.
Pão de Açúcar e Magazine Luiza fizeram sondagens, mas a proposta veio em 2010 do grupo da Lojas Americanas, que teria ofertado R$ 600 milhões para levar 100% da rede. A negociação, porém, foi abortada às vésperas da assinatura do contrato, em novembro. O alto endividamento e problemas na negociação estariam entre os possíveis motivos.
No começo do ano, as conversas passaram ao BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. A engenharia financeira negociada, que incluía um aumento de capital, também rondava os R$ 600 milhões. As conversas com Carvalho, porém, também arrefeceram e, há cerca de três meses, esquentaram junto com a Polo. Duarte diz que há anos a Casa & Vídeo estava no seu radar.
A Polo tem boa relação com o BTG e até participa de empresas com o banco, como no Panamericano, onde possui 11,67%. Também detém 5% na B2W, holding da Americanas.com, Submarino e Shoptime. Gafisa, Sofisa e Brasil Telecom são outras empresas no portfólio da gestora.
Veículo: O Estado de S.Paulo