O setor de alimentos deve ser grande empregador
Minas Gerais deve contratar cerca de 16,5 mil trabalhadores temporários para atender à previsão de aumento nas vendas em função do Natal, considerada pelo varejo como a principal data do ano em termos de comercialização. O número é 5% maior do que o total registrado no final do exercício passado, quando 15,75 mil postos foram abertos, segundo os últimos dados da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem).
De acordo com o levantamento, as 16,5 mil vagas representam 21,94% dos 75,264 mil empregos a serem criados pela data comemorativa somente na região Sudeste, e 11,25% da estimativa para todo o país (147 mil). No ranking nacional, o Estado só perde para São Paulo, que deve gerar 44,556 mil postos, ou 30,31% do total nacional.
Para o diretor regional da Asserttem em Minas Gerais, José Carlos Teixeira, os números confirmam a representatividade de Minas Gerais no desempenho da economia brasileira e na geração de empregos do país. Conforme ele, a participação do Estado se deve não somente em virtude da população economicamente ativa, mas também ao desenvolvimento industrial em diversos segmentos.
"O somatório das próprias características da região, com a estabilidade econômica e o aumento da renda da população verificadas nos últimos meses, tem contribuído para as expectativas em Minas Gerais. Além disso, historicamente, o Estado se destaca entre as regiões que mais oferecem oportunidades nestas datas", justifica.
Em relação ao perfil das vagas, Teixeira informa que, tradicionalmente, o Estado acompanha o traçado para o país. Conforme o levantamento realizado pela Asserttem, a maior parte das contratações temporárias (70%) tende a ser feita pelo comércio, com destaque para os segmentos de supermercado, vestuário, calçados, eletrodomésticos e perfumaria. Já na indústria, que responde pelo restante (30%) das contratações nesta época do ano, deverá ter como principais empregadoras as indústrias de bens de consumo, como alimentos, bebidas, brinquedos, eletrônicos, vestuário e papel.
"As primeiras contratações ocorrem na indústria, tendo em vista que estas precisam se preparar para as encomendas que receberão do comércio. Algumas delas, inclusive, começam a se equipar e a investir na capacidade de atendimento ainda no primeiro semestre. Este é o caso de alguns segmentos como o de enfeites natalinos e o de bebidas especiais, como vinhos e espumantes", explica.
Já no comércio, conforme o diretor regional, as contratações têm ocorrido cada vez mais tarde nos últimos anos. Segundo ele, o adiamento está ocorrendo em função de uma maior insegurança por parte dos empregadores. "Por mais que a economia esteja aquecida e que a previsão seja de alta nas vendas, desde a crise financeira de 2008, os empresários têm se mantido resistentes em voltar a contratar por volta de setembro, como ocorria anteriormente. Agora, eles deixam para outubro ou novembro", diz.
No entanto, Teixeira alerta que a demora na contratação pode gerar problemas e perdas para o empresário. "Com o aumento da demanda e a crescente escassez de mão de obra, aqueles que deixarem para a última hora poderão ter dificuldade na hora de encontrar o profissional e, muitas vezes, terão que pagar salários maiores", alerta.
Ainda segundo o levantamento da entidade, a remuneração média em 2011 deve apresentar aumento de 16% em comparação com a registrada no ano anterior. Os valores deverão variar entre R$ 920 e R$ 1,3 mil.
Veículo: Diário do Comércio - MG