Milho lidera lucro entre transgênicos

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As novas variedades de milho geneticamente modificado (GM) colocadas à disposição dos produtores devem fazer o grão liderar a rentabilidade entre os transgênicos nos próximos anos. Embora ainda seja recente no mercado - a primeira tecnologia foi autorizada para plantio no ano passado -, a melhora nos índices de produtividade e a redução no uso de insumos potencializa os ganhos em relação a soja e algodão. Estudo realizado pela consultoria Céleres em parceria com a Associação Brasileira de Sementes (Abrasem) mostra que, nos próximos dez anos, os benefícios econômicos da cultura podem chegar a US$ 46,8 bilhões.

 

Representantes dos produtores afirmam que a tecnologia é boa, porém possui resultados contraditórios. As informações preliminares do cultivo de verão mostram que algumas experiências não foram muito satisfatórias. "Ainda é um pouco cedo para avaliar os resultados porque foram plantados poucos hectares. Precisamos aguardar a safrinha para fazer uma leitura melhor", avalia Elton Ramer, presidente da Associação dos Produtores de Sementes do MT (Aprosmat).

 

Anderson Galvão, diretor da Céleres, explica que os números utilizados no cálculo do milho tiveram como base os custos da atual safra. Segundo informou, os gastos com a não utilização da tecnologia podem chegar a US$ 85 bilhões em dez anos. "Para acompanhar a produtividade do transgênico e a demanda do mercado, o convencional vai precisar abrir 25 milhões de hectares. Isso consumirá mais máquinas, mão-de-obra e tomará espaço de outras culturas". Segundo dados da consultoria, o milho GM oferece produtividade 7% superior ao convencional, em média. Para esse cálculo, a área plantada até 2018 deverá ficar em 48% na média. No último plantio de verão, as sementes GM cobriram cerca de 6% das lavouras no Brasil.

 

Mesmo com a melhora de produtividade da soja GM nas últimas safras, a economia proporcionada pelas novas tecnologias chegou a US$ 11,9 bilhões. "As variedades transgênicas registradas por cada região cresceu. Isso facilitou a adaptação conforme o clima e favoreceu os índices", revela Galvão. Ele lembra que foram levados em consideração as possíveis variações nos preços dos produtos durante o período avaliado. Paula Carneiro, diretora da Céleres Ambiental, observou que os benefícios ambientais e sociais são grandes. "A economia com óleo diesel e a redução gás carbônico no meio ambiente ajudam a minimizar o impacto na natureza".

 

Para Iwao Miyamoto, presidente da Abrasem, é importante elaborar estudos que avaliem o impacto dessas tecnologias. "O produtor precisa ter à disposição as tecnologias. A decisão de usar ou não será avaliada conforme a demanda do mercado". Galvão acredita que o ritmo de aprovações de novas tecnologias continuará normal. "Esse ritmo determinará em quanto tempo essa economia vai chegar ao campo".

 

Veículo: Gazeta Mercantil


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