Próxima safra de algodão será maior e mais transgênica

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Mesmo mais baixos, preços garantem boas margens em meio ao avanço da biotecnologia

 

Mesmo com preços menores, o algodão deve registrar aumento de área plantada no país na safra 2011/12, que começa a ser semeada em novembro. Além de já terem comercializado antecipadamente parte da produção prevista para 2012, os cotonicultores ainda estão com margens positivas com as atuais cotações. E têm a seu favor, ainda, um leque maior de sementes geneticamente modificadas à disposição, que "prometem" ganhos mais expressivos, sobretudo a partir de economias na aplicação de defensivos agrícolas.

 

A consultoria Céleres prevê que a próxima temporada de algodão ocupará 1,553 milhão de hectares, 10,9% a mais que a anterior. Desse total, 39%, ou 606 mil hectares, deverão ser plantados com transgênicos, 62,7% acima do estimado em 2010/11.

 

Nos próximos meses, a Céleres deve concluir um estudo sobre o retorno financeiro ao produtor da adoção de biotecnologia nas lavouras. Mas para Ronaldo Spirlandelli, diretor da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), é evidente que as primeiras tecnologias transgênicas, com resistências a lagartas, trouxeram poucos retornos e que a "vedete" será a resistência a herbicidas. Nesta frente, o uso comercial das sementes foi aprovado no país na safra 2008/09, mas a oferta estará disponível em volumes mais expressivos só 2011/12.

 

A avaliação também se estende às variedades com genes combinados - ou seja, com tolerância a insetos e a herbicidas. Segundo Anderson Galvão, da Céleres, juntas as duas tecnologias representaram 78,2% da área cultivada com transgênicos em 2010/11 - 41,5% com genes combinados e 36,7% com genes resistentes a herbicidas.

 

"A adoção de transgênicos tende a crescer. Uma boa parcela das sementes disponíveis até agora trazia apenas a resistência a lagartas, quando o pior inimigo das lavouras ainda é o bicudo. Assim, os defensivos tinham que ser aplicados da mesma maneira, não mais para combater a lagarta, mas o bicudo", explica Spirlandelli, que também preside a Associação Paulista dos Produtores de Algodão (APPA) e o 8ª Congresso Brasileiro do Algodão, que acontece entre 19 a 22 de setembro, em São Paulo.

 

A despeito da biotecnologia, a área de algodão no Brasil pode voltar a crescer, apesar da forte correção nos preços da commodity nos últimos meses, diz Spirlandelli. Na sexta-feira, a commodity voltou a fechar acima de US$ 1 na bolsa de Nova York. O contrato para dezembro encerrou o pregão a US$ 1,0052 a libra-peso, valorização de 400 pontos. Já o indicador Cepea/Esalq para a pluma fechou em queda de 2,36%, a R$ 1,7366 por libra-peso, 56,4% menor do que o pico de R$ 3,9902 por libra-peso atingido em 15 de março deste ano.

 

Porém, explica Élcio Bento, da Safras & Mercado, as atuais cotações cobrem facilmente o custo de produção, que é, em média, de R$ 0,59 por libra-peso, segundo a Conab. Mas, por conta do cenário baixista para o ano que vem, a Safras prevê um cultivo 9,3% menor de 1,239 milhão de hectares.

 


Veículo: Valor Econômico


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