O aumento de renda da população e a maior conscientização em relação à adoção hábitos saudáveis têm estimulado o maior consumo de frutas, como o abacaxi, e contribuído para o investimento na cultura. Em Minas Gerais, a produção de abacaxi é crescente e, para atender à maior demanda, os fruticultores têm investido na aquisição de mudas de alta qualidade, nos tratos culturais e no aumento da produtividade. Somente neste ano, o Estado deverá colher 223 milhões de abacaxis, respondendo por 15,13% da produção nacional.
De acordo com o gerente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e engenheiro agrônomo, José Roberto Silva, a tendência é que os produtores invistam cada vez mais na cultura, principalmente para aumentar a produtividade e a qualidade dos frutos.
"O fruticultor mineiro está preocupado em investir nos tratos adequados e na aquisição de mudas de alta qualidade. Isto faz com que o abacaxi mineiro chegue ao mercado nacional com preços em até 10% superiores se comparado aos valores pagos pelo fruto proveniente de outras localidades. A qualidade final do abacaxi e a possibilidade de utilizar a fruta tanto para o consumo in natura como nas agroindústrias agregam cada vez mais valor, garantindo lucro", disse Roberto Silva.
Segundo o gerente da Emater-MG, os maiores municípios produtores de abacaxi do Estado estão no Triângulo Mineiro. Do total de 7,603 mil hectares plantados em Minas Gerais, 6,837 mil hectares estão na região. A produção neste ano deve somar 207,5 milhões de frutos, respondendo por 92,3% da total colhido no Estado.
A produtividade média em Minas é de 30 mil frutos por hectare. Somente em 2010, o valor movimentado no Estado com a comercialização do fruto in natura e para as agroindústrias chegou a R$ 213 milhões.
A produtividade média da cultura de abacaxi em Minas Gerais é de 30 mil frutos por hectare
Mercosul - Os principais mercados que são abastecidos pelo abacaxi mineiro são as regiões Sul e Sudeste - com maior participação -, Centro-Oeste e Nordeste. "Boa parte da produção do abacaxi mineiro era exportada, porém com o câmbio desfavorável o mercado interno se tornou mais vantajoso para comercialização, mas ainda existe um pequeno volume que é destinado aos países do Mercosul", disse Roberto Silva.
Um dos principais municípios produtores é Monte Alegre de Minas. De acordo com a extensionista da Emater-MG, unidade Monte Alegre de Minas, Juliana Eugênia de Lima, a produção de abacaxi no município em 2011 será equivalente à obtida em 2010. A produção média estimada para este ano é de aproximadamente 60 milhões de frutos. A área ocupada pela cultura é de 2 mil hectares, com perspectiva de aumento para 2012, devido ao incremento observado na demanda.
No município são cultivados dois tipos do produto o Smooth Cayenne, conhecido como o Havaí, e o pérola. O preço do abacaxi havaiano é de R$ 0,70, o quilo, e do abacaxi pérola de R$ 2,50 a unidade. "Se a produção for bem planejada pelos fruticultores consegue-se alcançar lucros", ressaltou.
Outro município de destaque na produção de abacaxi é Canápolis, também no Triângulo. De acordo com o secretário de Agricultura e Pecuária de Canápolis, Davi Gonçalves Pereira, a produção de abacaxi nos últimos anos vem crescendo em média 10% por safra. O aumento da demanda e a rentabilidade promovida pela cultura são as principais justificativas. "O crescimento na produção só não é maior devido a falta de mudas no mercado. Mesmo assim, os produtores vem investindo em novas cultivares e no plantio das coroas, que são descartadas pelas agroindústrias", observou.
De acordo com Pereira, no município são produzidos anualmente cerca de 51 milhões de frutos em uma área de 1,5 mil hectares. A produtividade média é uma das mais altas do Estado, podendo alcançar 34 mil frutos por hectare. Além do clima e do solo favoráveis, os investimentos constante em tecnologia e tratos cultuais adequados são os diferenciais que justificam a alta produtividade.
Cultivares - Para ampliar a produção nos próximos anos, os fruticultores do município irão investir na compra de cultivares aprimoradas. De acordo com Pereira, as cultivares são a BRS Vitória, variedade desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a IAC Fantástico, que pertence ao Instituto Agronômico de Campinas (IAC). As duas cultivares são resistentes a fusariose, principal doença que acomete a produção de abacaxi em Minas Gerais. A doença pode acarretar na perda de mais de 50% da produção.
"Com a utilização das novas variedades poderemos ampliar em até 30% a produtividade média. A princípio, precisamos compras os exemplares, fazer todo o processo de climatização e adaptação ao solo, e somente depois poderemos produzir as mudas", disse Pereira.
Veículo: Diário do Comércio - MG